Kil Abreu traça panorama teatral do país
dez14

Kil Abreu traça panorama teatral do país

Por Kil Abreu Para entender a grande variedade de experiências vividas hoje na cena teatral  é preciso olhar primeiro para os modos de produção e o seu entorno, especialmente no capítulo das políticas públicas para a área. Com isto não se diz, evidentemente, que a diversidade de proposições estéticas que o teatro vive se deve apenas a paulatina mudança de paradigma no modelo de incentivo, que está de fato acontecendo, ainda que de maneira muito desigual, Brasil afora. É que em nenhuma arte a relação entre investimentos e qualidade de pensamento é muito segura. Às vezes, pelo contrário, processos artísticos altamente subvencionados redundam em obras irrelevantes. Entretanto, tem sido visível que a multiplicação das oportunidades quanto às condições de criação e circulação de espetáculos gera um ambiente cultural vivo em proposições. Isto acontece sobretudo nos lugares em que o sistema de fomento à produção artística se aproxima mais da subvenção direta do Estado e menos de Leis de incentivo como a Lei Rouanet, que em regra subsidiavam, até poucos anos atrás, apenas o teatro de mercado, de pouco risco estético. A ponta de lança no processo de redefinição dos rumos do teatro brasileiro é a retomada da cultura de grupo.  Ainda que muitos grupos de teatro tenham surgido nos anos 80 convencionou-se dizer que a década fora marcada pela presença autoral do encenador e por criações que tendiam a serem reconhecidas em uma única assinatura.  Não à toa naquele momento era comum se referir a um trabalho, por exemplo, como o espetáculo “do Gerald Thomas”, ou “do Ulysses Cruz”, para citar dois dos mais importantes criadores do período. Em montagens formalistas como Carmem com Filtro (Thomas, de 86), era recorrente a voz ensimesmada, o esmerado acabamento plástico e o hermetismo que de alguma forma tentavam desideologizar o palco cansado de guerra dos anos 70. Hoje a perspectiva autoral inverteu-se novamente em direção aos coletivos. Pode-se dizer que o teatro brasileiro atual, ou boa parte do que nele interessa, é uma síntese de época que equilibra as posições do encenador como criador ilhado e o grupo como instância de deliberação coletiva. Mas, em um e outro caso o teatro já não é mais o mesmo e sofre uma dialética interessante. Por um lado encenadores da estatura de Antunes Filho e José Celso Martinez Correa continuam suas jornadas em que o brilho individual é, como sempre foi, indispensável aos projetos artísticos. Mas também o são as suas respectivas companhias. No seu Centro de Pesquisa Teatral, o CPT, mantido pelo Sesc e nascedouro de uma geração inteira de grandes intérpretes, Antunes continua dirigindo os espetáculos que desdobram as características de estilo que...

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Cooperados se apresentam na Praça Dom José Gaspar
dez14

Cooperados se apresentam na Praça Dom José Gaspar

Por Letícia Holanda Em meio à chuva que caiu na cidade de São Paulo nesta terça-feira (14), um som chamou a atenção de quem passou pela Praça Dom José Gaspar (Anhangabaú). Era o Coral Cênico “Buraco da Gaiola”, grupo formado por artistas de várias companhias teatrais que fazem parte do curso gratuito de formação musical oferecido pela Cooperativa aos funcionários e cooperados. As aulas que deram origem ao Coral Cênico são ministradas pelo professor e ator Erick D’Ávila (Cia. Pompa Cômica), na sede da Cooperativa. Para ele há uma necessidade do ator estudar música: “existe uma carência por parte da classe artística em relação à música e até mesmo na formação vocal, algo essencial no teatro”. As apresentações têm como formato o Happening Musical, intervenções que ocorrem de forma repentina em meio ao cotidiano, e misturam interpretação de canções populares e de parlendas, com encenações. O grupo teve sua estreia na Mostra Satyrianas, no último dia 28, e agora está concorrendo ao edital da Prefeitura para integrar a programação da Virada Cultural de São Paulo, edição...

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Companhia do Feijão realiza atividades gratuitas de encerramento de projetos do grupo.

Para encerrar as atividades do projeto contemplado pela Lei de Fomento ao Teatro,  a Companhia do Feijão realiza a mostra “Dialogos Utópicos”, que reúne fragmentos teatrais, exercícios  cênicos , documentários e uma exposição permanente. A Cia do Feijão está localizada na Rua Dr. Teodoro Baima,  68, República. As atividades são gratuitas. Para mais informações acesse www.companhiadofeijao.com.br PROGRAMAÇÃO Diálogos utópicos Ruínas circulares Exercício cênico resultante do Grupo de estudos em linguagens não-verbais. com: Fabiana Pellegrini, Fernanda Haucke, Guilherme Carrasco, Guto Togniazzolo, Silvia Camossa e Thais Brandeburgo direção: Fernanda Haucke dia 11, sábado – 21h dia 12, domingo – 19h Irrealidades brasileiras Criação em processo da Companhia do Feijão – fragmentos. com: Fernanda Haucke, Flávio Pires, Guto Togniazzolo e Vera Lamy direção: Pedro Pires e Zernesto Pessoa dia 13, segunda-feira – 20h Em exposição permanente: Maquete cenográfica Recriação de maquinarias de Arquimedes Ribeiro pela Oficina de Cenotécnica e Maquinaria. direção: Petronio Nascimento Documentários: • Histórias de vida direção: Fernanda Rapisarda e Flávio Pires • Memória cenotécnica direção: Petronio...

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Brasil tem Plano Setorial de Teatro
dez09

Brasil tem Plano Setorial de Teatro

Por Letícia Holanda Entre os dias 29 de novembro e 1º de dezembro, os Colegiados de Artes Visuais, Circo, Dança, Música e Teatro, se reuniram no Rio de Janeiro para a 5ª Reunião Ordinária dos Colegiados Setoriais e aprovaram os Planos Setoriais de cada segmento. Os planos de cada setor fazem parte do Plano Nacional de Cultura, que foi sancionado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na última quinta-feira (2). No plano para o teatro está a diretriz de se criar uma lei específica para fomentar o teatro brasileiro, entre diversas outras propostas. Participaram desta  elaboração representantes das cinco regiões do país desde  quando foi criada a Câmara Setorial de Teatro. O Presidente da Cooperativa Paulista de Teatro, Ney Piacentini que representou São Paulo até 2009 declara que “o plano não é bem o que eu defendi na Câmara Setorial mas não deixa de ser um documento importante para o nosso teatro. A categoria precisa agora conhecê-lo e lutar para que o que está no papel vire realidade”. Para Marcelo Bones, diretor do CEACEN – Centro de Artes Cênicas da Funarte, “é um momento único e muito importante para todos nós. Com a aprovação dos Planos Setoriais, finalizamos essa atual gestão com chave de ouro”. Confira aqui o PNT que é resultado de um trabalho conjunto entre os representantes da sociedade, da Funarte e o Ministério da...

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Grupos da Cooperativa se apresentam no Sesc Belenzinho
dez09

Grupos da Cooperativa se apresentam no Sesc Belenzinho

Por Letícia Holanda Grupos da Cooperativa Paulista de Teatro participam da programação de reinauguração do Sesc Belenzinho. Dentre os grupos, estão: Cia do Feijão, Cia Livre, Cia São Jorge de Variedades e Grupo Circo Branco. As apresentações são parte do projeto de teatro Belenzinho Convida, onde diferentes coletivos e companhias teatrais de São Paulo ocupam as salas de espetáculo da unidade, com trabalhos marcantes de suas trajetórias. O Sesc Belenzinho fica na rua Padre Adelino, 1.000, Belenzinho (Mooca, perto do metrô Belém e Tatuapé). PROGRAMAÇÃO: Belenzinho Convida 09/12 – 21h30 – Sala de Espetáculos II. Cia do Feijão, com a retomada do espetáculo “Mire Veja”. Mire Veja traz situações fragmentadas e entrelaçadas que falam da vida na maior cidade da América do Sul. Com muitos personagens que não se encontram, cada mudança de história aparece como um flash no tempo impossível de São Paulo. 10/12 – 21h30 -Sala de Espetáculos I. Cia Livre, com a retomada do espetáculo “Arena Conta Danton”. Sua história se passa durante a Revolução Francesa, no período comandado por Robespierre e conhecido como “época do terror”. Dia 11/12 – Sábado, 21h30. Sala de Espetáculos II. Cia. São Jorge de Variedades, com o espetáculo “Quem não sabe mais quem é, o que é e onde está Precis”. As personagens da peça trazem em si, visualmente e na atitude, provocações explícitas ao público: quem somos nós, aqui, neste século? Que máscaras estamos vestindo? O que aconteceu com nossa sensibilidade e nossos sentidos? Como sermos mais verdadeiros? 12/12 – 18h30 – Sala de Espetáculos I. Teatro da Vertigem, com a retomada da leitura encenada “História de amor (últimos capítulos)”. Trata-se do amor entre três pessoas e também do amor pela própria escrita, pelo próprio ato de escrever ou de criar. Em última instância, pelo teatro. 17/12 – Sexta-feira, 21h30 – Sala de Espetáculos I. Grupo XIX de Teatro e Espanca!, com a pré-estreia do espetáculo “Marcha para Zenturo”. Uma turma de amigos se reencontra para celebrar uma festa de Ano Novo. Esse reencontro detona lembranças e reflexões sobre como o tempo transcorreu em suas vidas: como eram, o que desejaram ser, o que se tornaram, e o que ainda se tornarão. 18/12 – 21h – Sala de Espetáculos II. Grupo Breviário, com a retomada do espetáculo “Gota d’água”. Esta montagem, marcada pela estética brechtiana e pelo experimento em palco de arena, transpõe a tragédia grega para a ambiência urbana carioca, deflagrando a miséria e a exploração sofrida pelos moradores de um conjunto habitacional. 19/12 – 18h30 – Sala de Espetáculos I. Galpão do Folias, com a retomada do espetáculo “Orestéia O Canto do Bode”. Criada para comemorar os...

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