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A coragem e o teatro de Maria Alice Vergueiro.
Nossos parceiros Sesi e Sescoop.
A essência do pensamento cooperativista.
Temas em discussão.
Por que vocês não me deram uma pauta?
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Disseram que meu tema nessa edição era livre. Me assusta esse negócio de não ter pauta. Sabem como é, cachorro na frente do açougue. Há tanto sobre o que escrever. Como escolher apenas um assunto? Mas deixa então eu meter o meu bedelho onde não fui chamado. Fiquei sabendo que a Cia. Pombas Urbanas perdeu o direito de ocupação do Teatro Martins Pena. Parece que o Grupo não cumpriu as metas exigidas pelo Projeto Cidadania em Cena e o Sr. Celso Frateschi resolveu mandar as pombas pro chuveiro. Eu não sei exatamente o que o Grupo fez ou deixou de fazer. O que eu queria saber é se os outros Grupos que tiveram os seus contratos renovados realmente cumpriram as tais metas. Que tal prestar contas pra rapaziada do que os outros grupos andaram fazendo? O Lino Rojas da Cia. Pombas Urbanas disse no jornal O Estado de S. Paulo que tinha um compromisso verbal de que o contrato seria renovado. Tenha paciência, né, Rojas? Se compromissos verbais hoje em dia valessem alguma coisa, eu estaria hoje mandando esse artigo por e-mail direto de uma juke joint de New Orleans. Acho que o Rojas tinha mais é que exigir das outras companhias uma devida prestação de contas, enfim, só numas de ver qual é, sacou? Tem que ver se o pau do galinheiro dele tá realmente mais sujo que o dos outros. Mas pra conseguir isso, fico pensando que o Rojas tem que ser um cara bem relacionado. Será que ele é? Hoje em dia isso é muito importante. Não basta fazer um bom trabalho. Tem que ser bem relacionado. Então pro Rojas e para os meus diletos leitores aí vão algumas dicas para você se tornar um sujeito bem relacionado: Passe pela Oswald de Andrade e tome um cafezinho com o Sartini. Ligue para o Milaré e deseje boa tarde (eu testemunhei boquiabertamente abismado uma ligação dessas). Passe pelo Ágora, quem sabe você não tem a sorte de trombar com o Frateschi (o Frateschi é recorrente neste artigo, né? Entendam que não é nada pessoal, é que o Frateschi tá com a bola toda e é importante manter boas relações com ele), e aí você fala para ele dos seus planos revolucionários. Fique amigo do Aimar Labaki (você já reparou que ele tá em quase todas?) Participe das reuniões do Arte contra a Barbárie, mesmo que você não fale porra nenhuma, mas é importante marcar presença. Vá jantar nos restaurantes da classe, talvez você leve a sorte de encontrar alguém com algum cargo importante pra você lamber o saco dele. Ou tente conhecer quem são os caras das comissões capazes de brindá-lo com prováveis verbas. E quando você já não tiver mais nem uma gota de dignidade em suas veias junkadas, faz o seguinte, freqüente a mesma academia de um diretor de elenco de tv, escolha a esteira mais perto da dele e faça de conta que não quer nada, puxe um assunto qualquer e reze pro cara gostar da fruta. Você já está bem relacionado? Então agora você tem que começar a mostrar trabalho. Então não esqueça que você tem que ser inofensivo. Escolha para montagem um texto que não incomode ninguém. E olha que eu não tô falando dessas comediazinhas babacas de costumes não, que eu não sou de chutar cachorro morto. Eu tô falando sim é que você tem que escolher um texto que parece que tá dizendo muita coisa, que tá indo contra o sistema (palavrinha sinistra essa) e tudo o mais. Mas a gente sabe que na verdade não tá se dizendo nada que qualquer imbecil de QI vexatório já não esteja cansado de saber. E se realmente você for um cara carregado de boas intenções e quiser se arriscar por um teatro aparentemente com preocupações sociais e tudo o mais, então seja bem ininteligível, porque afinal, você sabe, público de teatro já é pequeno, não assusta ninguém, e quando você ainda não se faz entender, então tá tudo certo. Perigas até você ainda posar de gênio e ser incensado pela crítica, é bem possível até que você ganhe ainda uma crítica também ininteligível da Sra. Mariângela Alves de Lima (esse é um outro assunto). Acho que eu não tenho mais espaço na coluna, né? Tá tocando a porra do sininho. Esse é o problema de não ter pauta. É que eu ainda queria falar sobre...ah, deixa pra lá. por
Mário Bortolotto
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