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Filão
Profissional
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Atriz, coreógrafa, diretora, escritora e produtora: Renata Melo.
O trabalho do ator em eventos empresariais.
Esclarecimentos sobre a emissão de nossa Certidão Negativa.
Sobre amigos, polêmicas e desesperança.
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Ator
(na) empresa
Não
é raro que um simples bate-papo de atores numa mesa de bar desencadeie
uma acalorada discussão: a falta de oportunidades no mercado
de trabalho. E conforme as garrafas de cerveja vão baixando,
os humores se ressaltam e as queixas intensificam-se. Ser ator não
é fácil. Esse jargão provavelmente está
na boca de nove entre dez pessoas da classe teatral. E, seguramente,
ser ator numa época de crise econômica é menos fácil
ainda. No entanto, existe um filão de trabalho para os artistas
dentro do ramo empresarial que aumenta vertiginosamente. São
os chamados eventos, que englobam desde convenções, feiras,
lançamentos de produtos, treinamentos, ações promocionais
até o teatro levado para as fábricas e shopping centers. Para
Roberto Aylmer, diretor de desenvolvimento da Consulting House (consultoria
de treinamento em gestão empresarial) o teatro dentro dos eventos
é inusitado porque é vivo; por isso torna-se relevante.
O ator tem como função a descontração do
ambiente e a educação dos participantes. Através
de sátiras ou comédias ele traz um olhar bem humorado
para uma situação às vezes dolorosa dentro da empresa.
Segundo Aylmer o humor é a saída para a cura e a grande
importância do trabalho do artista dentro do evento é ressaltar
essa alegria e essa possibilidade. "Quando os funcionários
se vêem dentro de um esquete eles conseguem rir de si mesmos.
Isso conduz o participante a atravessar uma experiência que ele
não tem conhecimento prévio. E à medida que o grupo
enfrenta essa situação ele consegue se ver diante da crise
que enfrenta no ambiente de trabalho", revela. O diretor diz também
que quanto maior o nível gerencial dentro da empresa, menor a
possibilidade de percepção dos erros. E a dinâmica
interativa (através dos atores) interfere justamente nesse ponto,
mostrando as oportunidades justas para as mudanças necessárias.
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O mercado de eventos empresariais abre inúmeras possibilidades e oferece um leque de excelentes oportunidades de trabalho para praticamente todos os tipos de manifestação artística: atores, bailarinos, músicos, mímicos, cantores, circences, ilusionistas etc. Apesar do forte apelo do retorno financeiro, ainda existem alguns artistas que carregam preconceitos em relação a essa forma de atuação. Mas será realmente que estar em cena em um evento torna o ator menos digno ou grandioso? Pode o trabalho artístico ser prejudicado através das restrições que sofre dentro do universo empresarial?
Ponto
de Vista O ator, diretor,
produtor e dramaturgo, Calixto de Inhamuns, idealizador e criador do Studio
Arte Viva, foi o precursor do teatro feito dentro das empresas. Caiu nesse
ramo por acaso e já que a sua primeira peça para esse novo
público fez um sucesso estrondoso, não parou mais. Desde
1985, quando o Studio foi criado, ele e a mulher Cássia Guindo,
também atriz, vivem desse filão do mercado. Calixto tornou-se
um especialista no assunto, escrevendo e montando uma série de
textos que falam sobre segurança no trabalho, qualidade de vida,
saúde e tantos outros temas. O Studio Arte Viva, que até
hoje preserva as características de um teatro de grupo, reunia
no final da década de 90 quarenta atores. Muitos deles com nomes
bastante fortes dentro da cena teatral e da mídia, como Rosi Campos,
Walter Breda, Cacá Amaral, Fernando Neves, Norival Rizzo, entre
outros. O ator Sidnei Moreno, ao descobrir-se financeiramente encurralado diante das suas responsabilidades familiares resolveu definitivamente seguir o filão de eventos. Ao lado da sócia Vany Alves, criou a empresa Inventos e Eventos Produções Culturais, que hoje atende grandes clientes com treinamento diferenciado. "Cansei de ter que pagar para fazer espetáculos. Isso não quer dizer que eu não goste do teatro. Gosto muito e até sinto falta, mas eu não podia ficar esperando. Tive que ir à luta". Aos 45 anos o ator sente-se realizado com o caminho escolhido. Para ele as manifestações artísticas servem para transformar o homem e a humanidade. Hoje em dia alcançou o prazer através do retorno imediato do público nos eventos e também no treino constante de atuação, obtido pelos jogos de improvisação e pelas brincadeiras. "Recentemente uma funcionária de uma empresa sentiu-se fortemente tocada ao perceber o amor com que faço o meu trabalho. Para mim, hoje, isso é melhor do que o aplauso da platéia no final do espetáculo. Me dá certeza da missão que tenho na vida." Para o ator e empresário
Maurício Machado, diretor da empresa Manhas & Manias de Eventos
não existe nada comparável ao prazer que o teatro dá.
"Aquele sabor do aplauso final, aquela risada que você tira
da platéia. Agora, o que tem de mais fascinante no evento, e isso
o teatro não permite com tamanha rapidez, é a possibilidade
de transformação do ator. Ser à tarde uma mulher,
à noite um capataz, de manhã, uma bruxa, uma drag queen,
um gnomo, um rei. No dia seguinte um apresentador e assim por diante.
Se experimentar todo momento, fazer novos tipos, testar outras possibilidades,
se colocar em estado de prontidão e à disposição
do público. Isso deixa o ator mais experiente, mais afiado para
enfrentar grandes desafios", diz.
por
Luciana Azevedo |
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