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Teatro para crianças ganha espaço em iniciativas espalhadas por São Paulo

 

Assunto sério dentro das discussões de política cultural, o teatro feito para crianças ganha, a cada dia, destaque maior dentre as iniciativas públicas e privadas de apoio, incentivo e disseminação da cultura em São Paulo. Tanto na capital quanto no interior, o teatro para crianças tem tomado cada vez mais importância nas programações culturais. E a boa notícia é que, segundo especialistas, a qualidade vem crescendo a olhos vistos.

Tanto assim que, há poucos meses foi criado o CPTIJ, Centro Paulista de Teatro para Infância e Juventude, uma organização de artistas que trabalham com teatro voltado à infância com o objetivo de "promover o desenvolvimento do conceito de criança como cidadã que, entre outros direitos fundamentais, deve ter garantido seu direito à cultura", segundo o site da entidade (www.cptij.hpg.ig.com.br). Atualmente, o CPTIJ está incentivando a filiação de outros artistas, para fortalecer-se como entidade representativa do segmento. E também já está discutindo ações e parcerias para ter participação mais efetiva no que diz respeito ao teatro feito para crianças em São Paulo.

Mas associações não são a única maneira de fortalecer e privilegiar o teatro feito para crianças. Um dos exemplos é a recente mostra promovida pelo Centro Cultural São Paulo, que teve como tema central o teatro feito para crianças, com debates, apresentações e reflexões de artistas sobre o assunto. "Hoje há muito mais grupos fazendo teatro para crianças com preocupação de qualidade e comprometimento. Há uma pesquisa mais intensa das linguagens e estéticas voltadas para esse público", afirma Lizette Negreiros, responsável pela área no CCSP.

Se, por um lado, ainda falta o espaço que esse tipo de teatro gostaria de ter, por outro crescem espaços não-convencionais de apresentação. Negreiros admite que a estrutura das peças podem "sofrer terrivelmente" com as adaptações que precisam ser feitas a cada vez que se ocupa um espaço diferente daquele para o qual a peça foi concebida.

Mesmo assim, as crianças parecem não se importar. "A criança se encanta pelo simples se ele for bem mostrado, ela está aberta tanto a uma estética mais sofisticada quanto à simples", acredita. Talvez por isso, o CCSP privilegie levar aos espectadores espetáculos de grupos preocupados com a formação intelectual, que tenham consistência na pesquisa e na proposta artística. "Preferimos propostas simples que tenham conteúdo, preocupação e pensamento artístico", diz.

Outro programa público de incentivo ao teatro feito para crianças é o Projeto Vida, da Secretaria Municipal de Educação, que existe desde 2001 e inclui, entre outras atividades, o teatro dentro das escolas municipais, por meio do Programa Escola Aberta, uma das ramificações do Projeto.

São 250 escolas que abrem também aos finais de semana para levar cultura, divertimento e lazer para os alunos e a comunidade. Dentro de um leque de atividades (que inclui música, artesanato e esportes) está o teatro para crianças, que marca presença de duas formas: por meio de oficinas e de apresentações de espetáculos para a comunidade. Até hoje, mais de 70 peças passaram pelas escolas municipais. "É uma iniciativa que ajuda a resignificar o cotidiano escolar e o trabalho pedagógico", afirma Fátima D'Agostino, uma das integrantes da equipe que cuida do Projeto. Segundo ela, o projeto muitas vezes atende a uma solicitação da escola para levar peças teatrais para a comunidade, o que, entre outros benefícios, estreita os vínculos entre alunos, professores e familiares. O foco central do Projeto é a prevenção da violência com cultura e arte. Uma receita que vem dando certo. O teatro é levado a locais e para públicos talvez impossíveis de alcançar em outras circunstâncias: até mesmo os locais mais afastados da cidade acabam sendo contemplados. E o público comparece. "São iniciativas que devolvem a auto-estima aos participantes e fazem com que se sintam parte de um todo".

Já nos projetos mantidos pelo SESC em suas unidades da capital e do interior, as ações são sempre pensadas dentro de uma "perspectiva de educação permanente" , como democratizar a cultura, enriquecer o repertório e formar público, colocando-o em contato com manifestações artísticas e culturais diversas. "É nesse contexto que está inserida a apresentação de espetáculos para crianças nas unidades do SESC", destaca Marta Colabone, assessora da Gerência de Ação Cultural do SESC. São apresentações isoladas ou temporadas teatrais inteiras dedicadas às crianças, além de oficinas teatrais que acontecem freqüentemente. No SESC Santo Amaro, por exemplo, a idéia é agregar o jovem pelo teatro, por meio da convivência em oficinas teatrais.

Já os espetáculos infantis têm um caráter lúdico e, em geral, vêm acompanhados de oficinas após os espetáculos, integrando pais e crianças, que em geral vão junto aos espetáculos. "Por isso temos pensando no conceito de teatro para a família, pois sabemos que a criança não vai sozinha ao teatro", afirma Colabone.

Por mais distintas que sejam entre si, a continuidade e a proliferação de iniciativas de apoio ao teatro feito para crianças parecem ter base em um fato irrefutável. "Quando o público marca presença, é sinônimo de possibilidade de continuidade", diz Negreiros, do CCSP. Por isso, parece mesmo que o teatro infantil está fadado ao crescimento.

 

por Renata de Albuquerque

 

 

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