Grupo
Galpão - Diário de Montagem
Carlos Antonio Leite Brandão
& Eduardo da Luz Moreira
Editora UFMG
Nos
quatro volumes que compõem a obra, pode-se acompanhar quase que
diariamenteos registros da evolução dos processos de composição
e concepção de alguns espetáculos encenados pelo
grupo: Romeu e Julieta (1992), Um Molière Imaginário (1996/97),
Partido (1998/99) (estas relatadas por Cacá Brandão) e
A Rua da Amargura (1994, dissecada por Eduardo Moreira).
O
livro é um interessante relato do cotidiano das montagens, desde
os exercícios de grupo, as "crises, as apostas e as superações",
até os ensaios. A Rua da Amargura é o volume em que mais
é sentido o ponto de vista do ator, neste caso também
fundador da companhia. Nos outros três volumes é o dramaturgo
quem conta a história de cada espetáculo. Relatos interessantes
sobre o cotidiano de um grupo que celebra seus vinte anos de história.
Semiologia
do Teatro
J. Guinsburg, J. Teixeira Coelho Netto
e Reni Chaves Cardoso (Orgs.)
Editora Perspectiva/Coleção Debates

Reeditado
agora pela editora, este livro é uma coletânea de textos
importantes sobre o teatro, inclusive sob o aspecto teórico.
O conjunto de textos oferece ao leitor uma ampla visão de alguns
dos principais pontos de partida e dos desenvolvimentos nas pesquisas
semiológicas aplicadas ao domínio da arte cênica.
Umberto Eco, Richard Demarcy, Petr Bogatyrev, Tadeusz Kowzan, Jindrich
Honzl, Doman Ingarden, Jiri Veltruski e Jan Mukarovsky são alguns
dos nomes que analisam a natureza e o sentido do signo no teatro, bem
como as estruturas, os modelos e os tipos de discurso e linguagem que
ele compõe. Há ainda nomes brasileiros presentes na obra,
como Eduardo Peñuela Cañizal, Lucrecia D'Alésio
Ferrara e Jeanne Marie Interlandi. Todos trazem contribuições
para entendimento e criação da estética moderna
do palco.
A
roda, a engrenagem e a moenda - Vanguarda e espaço cênico
no teatro de Victor Garcia no Brasil
Newton de Souza
Editora Unesp
Newton
de Souza, analisa nesta obra três importantes encenações
do diretor de teatro argentino Victor Garcia entre 1968 e 1974: Cemitério
de Automóveis, de Fernando Arrabal; O balcão, de Jean
Genet; e Autos Sacramentais, de Calderón de la Barca. Garcia
era considerado um vanguardista em sua época, mas neste livro,
Newton de Souza questiona essa característica do argentino. O
autor mostra que os espetáculos eram desprovidos de elementos
contestadores ou revolucionários, apesar de marcarem época,
com grande impacto junto ao público, por causa de seu aspecto
monumental e da utilização de recursos como a nudez. Um
livro polêmico, que originalmente foi apresentado como a dissertação
de mestrado do autor, e que resgata a concepção do espaço
cênico de Victor Garcia em três diferentes montagens.
Plínio
Marcos
Ilka Marinho de Andrade Zanotto (org).
Editora Global/Coleção melhor Teatro
Mais
um título da coleção coordenada por Sábato
Magaldi, este título se debruça sobre a obra do paulista
Plínio Marcos, que ganhou a alcunha de "maldito" e
renovou os padrões da dramaturgia brasileira, enfocando temas
como o homossexualismo, violência, crime e prostituição,
que traziam aos olhos da classe média a realidade dos pobres,
como lembra Décio de Almeida Prado.
Desta antologia fazem parte cinco textos de Plínio Marcos: Barrela,
escrita em 1958; Dois Perdidos Numa Noite Suja, de 1966; Navalha na
Carne, de 1967, O Abajur Lilás, de 1969 e Querô, uma Reportagem
Maldita, adaptada para o teatro em 1979, a partir de um romance de 1976.
O livro conta ainda com um texto de apresentação da crítica
de teatro Ilka Marinho de Andrade Zanotto.
Florbela
Espanca: uma estética da Teatralidade
Renata Soares Junqueira
Editora Unesp
Florbela
Espanca foi uma figura singular na literatura, especialmente porque
sua obra é dificilmente "classificável" a partir
dos padrões de sua época. Nesta obra, a autora analisa
a obra de Espanca com uma perspectiva original, realçando as
afinidades da obra da poeta com a produção de seu tempo.
Junqueira defende que a teatralidade da obra de Espanca (poesia e prosa)
é a mesma que se verifica nos modernistas portugueses do século
XX, ainda que a autora tenha permanecido distante desse panorama. Isso
porque, afirma a pesquisadora, Espanca "louvou tudo o que era ostensivamente
fictício, com seres e objetos deliberadamente artificiais, produtos
de uma linguagem habilmente sofisticada".