Aconteceu nesta segunda-feira, dia 8 de fevereiro, às 21h, no
Espaço Parlapatões, a segunda edição do Prêmio Cooperativa Paulista de Teatro. A
cerimônia foi apresentada pela dupla de palhaços do grupo La Mínima, Domingos
Montagner e Fernando Sampaio, e ao final da entrega, o Grupo Formação 10 da
Escola Livre de Teatro realizou uma pequena apresentação, com cenas do
espetáculo “Nekropolis”. Devido ao grande número de artistas e público que
compareceu para prestigiar a festa, foi colocado um telão no saguão do Espaço
Parlapatões, para aqueles que não conseguiram entrar no auditório poderem
acompanhar a cerimônia normalmente.
Antes de começar a distribuição dos troféus aos vencedores, o
ator e presidente da Cooperativa Ney Piacentini lembrou que o prêmio está em elaboração e ainda
sendo aperfeiçoado. Por isso, buscando a forma mais justa, a próxima edição terá
um novo sistema de votação, em que os associados farão uma pré-votação antes de
passar por uma comissão julgadora eleita pelos cooperados. "A Cooperativa é de
todo mundo", acrescentou Piacentini, dando início a cerimônia.
O diferencial do Prêmio Cooperativa Paulista de Teatro - de
premiar o coletivo ao invés de personalidades individuais, e de possuir
categorias que contemplem o teatro não só na capital - foi lembrado nos
agradecimentos. O grupo Katharsis, de Sorocaba, em seu discurso pelo prêmio na
categoria "Trabalho apresentado no interior e litoral paulista", falou que é
preciso repensar a relação entre interior e capital: "a gente existe". O ator
Paulo Marcello, premiado juntamente de seu companheiro de cena, Joca Andreazza,
na categoria "elenco", pelo trabalho em Anatomia Frozen", parabenizou a
iniciativa em contemplar não apenas um ator do grupo: "o espetáculo foi
construído em conjunto. Não seria justo só um dos dois levar o prêmio". Newton
Moreno, vencedor em duas categorias, direção e projeto visual, pelo trabalho em
"Memória da Cana", agradeceu a honra e dedicou seu prêmio ao diretor Márcio
Aurélio, de "Anatomia Frozen".
Durante a apresentação, Domingos Montagner lembrou do
episódio do assalto ao Espaço Parlapatões e pediu a todos que dessem um forte
aplauso para que "essa energia, da força do teatro, se mantenha sempre viva na cidade
de São Paulo" e completou "Salve Marião (Mário Bortolotto, baleado na ocasião)!
Salve o teatro paulistano!" O que foi seguido por um grande aplauso da plateia
lotada. Ao final, Piacentini afirmou que um dos grupos contemplados esse ano
será convidado a participar da Mostra Latino-Americana de Teatro de Grupo, que
ocorrerá em abril no Centro Cultural São Paulo.
A comissão julgadora, eleita pelos sócios da Cooperativa, foi
formada pelo pesquisador teatral Valmir Santos, pelo crítico teatral Edgar
Olimpio de Souza, pelo representante da produção teatral do interior de São
Paulo - Cláudio Mendel, Diretor da Casa de Cultura Cassiano Ricardo de São José
dos Campos e pela atriz Deborah Serretiello. O desenho e confecção do troféu do
prêmio é de Luciana Bueno.
A seguir, confira os vencedores de cada categoria:
1 - Dramaturgia: Criação individual ou coletiva em espetáculo apresentado em
sala convencional, rua ou espaço não convencional.
* O Livro dos Monstros Guardados (Rafael Primot - Núcleo Experimental)
2 - Direção: Criação individual ou coletiva em espetáculo apresentado em sala
convencional, rua ou espaço não convencional.
* Memória da Cana (Newton Moreno - Cia. Os Fofos Encenam)
3 - Elenco: Em espetáculo apresentado em sala convencional, rua ou espaço não
convencional.
* Anatomia Frozen (Joca Andreazza e Paulo Marcello - Cia. Razões
Inversas).
4 - Trabalho apresentado em sala convencional.
* Cloaca (Grupo Tapa)
5 - Trabalho apresentado em rua.
* Contos de Lua no Chão (Grupo do Trecho, de São Paulo/Campinas)
Mensão honrosa: Grupo Rosa dos Ventos, de Presidente Prudente, pela
importância e relevância do trabalho desenvolvido no interior. Espetáculo “A
Farsa do Advogado Pathelin”
6 - Trabalho apresentado em espaços não convencionais.
* Cidade Desmanche (Grupo Teatro de Narradores)
7 - Trabalho para platéia infanto-juvenil apresentado em sala
convencional, rua ou espaço não convencional.
* A Odisséia de Arlequino (Cia. da Revista)
8 - Trabalho apresentado no interior e litoral paulista, em sala
convencional, rua ou espaço não convencional.
* Astros, Patas e Bananas (Grupo Katharsis, de Sorocaba)
9 - Grupo ou Companhia revelação, do interior, litoral ou capital do
Estado.
* Grupo do Trecho, de São Paulo/Campinas (Contos de Lua no Chão)
10 - Projeto Visual: Integração orgânica entre os elementos plásticos e
visuais do espetáculo e sua realização cênica - iluminação, cenografia,
figurino, adereços, maquiagem.
* Memória da Cana (cenário de Marcelo Andrade e Newton Moreno, iluminação de
Eduardo Reyes, figurinos de Leopoldo Pacheco e cenotécnica Zé Valdir - Cia. Os
Fofos Encenam)
11 - Projeto Sonoro: Integração orgânica entre os elementos sonoros do
espetáculo e sua realização cênica - palavra, canto, trilha original ou
adaptada, arranjos e sonoplastia.
* Concerto de Ispinho e Fulô (direção musical de William Guedes, composições
originais Jonathan Silva e Dinho Lima Flor - Cia. do Tijolo)
12 - Ocupação de espaço: sala convencional, rua ou espaços não convencionais,
no interior, litoral ou capital do Estado.
* AquiFora (Grupo OPOVOEMPÉ)
13 - Publicação dedicada ao universo do teatro, suas diversas vertentes,
relações e linguagens, em projetos de Grupos e Companhias teatrais, instituições
ou similares.
* Máquina para os Deuses: anotações de um cenógrafo e o discurso da cenografia
(de Cyro del Nero, Edições Sesc SP e Editora Senac)
14 - Prêmio Especial
* Escola Livre de Teatro de Santo André, pela referência na formação de
profissionais nas artes cênicas
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