NA IMPRENSA:
Ilustrada - 24/02/2010
Bortolotto se revê em mostra.
Caderno 2 - 24/02/2010
Um encontro com Mário Bortolotto e suas facetas.
Caderno 2 - 25/02/2010
Artistas com passagem pela trupe da Vertigem levam ao palco Dissidente, peça deste autor vivo e atuante em Paris.
Caderno 2 - 13/02/2010
Tem Folias pra quem não quer cair na folia.
Ilustrada - 03/02/2010
Cia. as Graças celebra 15 anos com mostra no CCSP.
Caderno 2 - 04/02/2010
Cia. As Graças festeja 15 anos no CCSP
Caderno 2 - 04/02/2010
Grupo Folias inicia hoje temporada de Êxodos - O Eclipse da Terra, que transita pelo fantástico para tratar das migrações.
Ilustrada - 03/02/2010
Peça do Folias Êxodos alia 'Gabo' a Sebastião Salgado.
Caderno 2 - 28/01/2010
Mostra no Espaço Parlapatões debate trabalho-solo de intérpretes.
Caderno 2 - 08/01/2010
Companhia Les Commediens Tropicales celebra cinco anos com mostra.
Guia do Estadão - 29/01 a 04/02/2010
As migrações são inspiração para Êxodos, nova peça do grupo Folias D' Arte.
Ilustrada - 09/01/2010
Cia Les Commediens Tropicales encena Ibsen inédito no Brasil.
Caderno 2 - 29/01/2010
Vertigem e os castelos de vidro do capitalismo.
Guia da Folha - 29/01 a 04/02/2010
Vertigem leva Kafka a 25 metros do chão.
Ilustrada - 19/03/2010
Mostra da Cia. Corpo Nômade chega à terceira edição.
O Estado de S. Paulo - -9/04/2010
No Parque da Luz, Cia. Elevador de Teatro Panorâmico realiza uma peça em silêncio.
Caderno 2 - 13/03/2010
Folias ao Vertigem. Os espetáculos Kastelo e Êxodos têm mais conexão do que se poderia supor.
Folha de S. Paulo - 30/03/2010
Cibele Forjaz desdobra Dostoiévski, em montagem de "O Idiota".
O Globo - 13/03/2010
Os Crespos, um grupo que diz ao que veio já no nome.
Bravo! - abril/2010
A diretora Cibele Forjaz combina folhetim russo com telenovela brasileira em "O Idiota", peça encenada ao longo de 3 dias.
Caderno 2 - 30/03/2010
Cibele Forjaz e as muitas vozes de Dostoiévski.
Ilustrada - 23/03/2010
Nova peça de Mário Bortolotto abusa de clichês e diálogos banais em trama sobre balanço geracional de três amigos quarentões.

 
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C42 - Ventos novos no encontro entre tradição e ru

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Ventos novos no encontro entre tradição e ruptura
 

“Hospital da Gente”, do Grupo Clariô, e “Ensaio sobre Carolina”, d´Os Crespos, renovaram os ares da temporada com confrontos e diálogos com as tradições

Por Antônio Rogério Toscano

Os ares de janeiro soaram como em uma trombeta e, quase visionários, deram o anúncio: João das Neves chegava a São Paulo no início de 2008 com seu brilhante “Besouro Cordão-de-Ouro” e (ainda não se sabia àquela altura, mas) foi o arauto de um jorro de desejos que por aqui se articulava, silenciosamente, desde o ano anterior.


Este jorro/desabrochar emergiu com suor forte de trabalho árduo e com rara beleza, no decorrer da temporada, em espetáculos criados por artistas locais jovens, ávidos por desenterrar dos escombros do esquecimento o depoimento vívido de sujeitos marginalizados e escondidos sob a sombra da histórica distinção racial (e social) vigente(s) no país da mais tardia (e até mesmo atual) escravatura.


Um dos sinais notáveis em todos estes novíssimos projetos (envolvidos, coincidentemente ou não, com buscas afinadas com as de “Besouro Cordão-de-Ouro”, em que quase a totalidade de performers / atores / cantores / dançarinos é constituída por artistas negros esmerilhados por repertório da tradição popular) se faz visível na tentativa rigorosa de estabelecer parâmetros de experimentalismo em suas formalizações cênicas.


Encruzilhados entre a tradição (com resgate de materiais que pressupõem uma idéia de trajetória histórica da miséria e que fazem chegar ao presente a resultante de processos contraditórios e complexos derivados do passado) e o desejo de configurar procedimentos de renovação e de apontamento de caminhos formais experimentais, pelo menos dois grupos importantes surgiram, despontando no circuito teatral com contundentes provocações teatrais avizinhadas (tanto por proximidades evidentes como também por diferenças gritantes) às trazidas pelo vanguardeiro, e profundo conhecedor de tradições, João das Neves.


Foi o caso de Os Crespos, coletivo formado exclusivamente por atores negros ainda em fase de formação (recentemente convidados por Frank Castorf a integrar sua montagem brasileira de Nelson Rodrigues/Heiner Müller e que foram fundadores, enquanto atuaram e estudaram na Escola de Arte Dramática da USP, um núcleo de estudos voltado para o debate das questões urgentes do artista brasileiro negro) e que tem diretor negro trabalhando em seu primeiro espetáculo com materiais textuais extraídos da literatura escrita por autora negra e pobre.


E foi o caso do grupo Clariô, que constituiu na cidade de Taboão da Serra, na Grande São Paulo, a ocupação de um espaço próprio de pesquisa e de exibição (uma casa simples, na Rua Santa Luzia, ao número 96, radical e intensamente cenografada com estruturas rústicas, típicas das favelas e de comunidades periféricas) e que deu impulso a uma cena originalíssima nascida a partir do estudo de uma série de contos do escritor nordestino Marcelino Freire. Aqui, nem todos são negros (nem atores e nem demais criadores), como nos casos anteriores, mas apenas atrizes (negras ou não) ocupam a cena para dar voz à dor própria das mulheres vitimadas pela sociabilidade miserável e à percepção feminina dos horrores deste mundo.




 
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