“Resolvemos fazer um folhetinho e demos o nome de Camarim porque tinha a ver com teatro”

Hoje é o Dia Mundial do Teatro, data criada em 1961 pelo Instituto Internacional do Teatro (ITI). Para comemorar a data, colocamos aqui no site da Cooperativa todos os números da revista Camarim já feitos. Eles estão no formato PDF pesquisável, pronto para leituras em e-readers. Você pode baixar cada número ou um pacote com todos os números nesta página.

Além disso, entrevistamos Luiz Amorim, presidente da Cooperativa em 1997, quando o primeiro número da Camarim foi lançado. Na entrevista a seguir ele conta a história da revista e analisa a evolução do teatro (e da Cooperativa) nestes pouco mais de 15 anos. Boa leitura!

***

Quando você foi presidente aqui da Cooperativa?
Presidente eu fui de 93, o primeiro mandato foi em 93, antes eu tinha sido secretário. Em 93 a gente formou uma chapa, eu era o presidente. Ficamos 93/95, 95/97, foram cinco gestões com término em 2003.

Quando surgiu a ideia de fazer uma revista sobre teatro?
A gente tinha a necessidade da comunicação. Quando começou a minha gestão na Cooperativa a gente tinha 20 e poucos sócios. A Cooperativa começou em 79, você sabe, ela teve um crescente de associações, muita gente se agregou – os que já tinham fundado a Cooperativa e outros que foram se agregando – e teve um auge. De 79 até 83, mais ou menos, ela teve uma atividade muito forte, depois começou a ter problemas. Problemas administrativos, problemas jurídicos, problemas contábeis principalmente e houve uma autuação da prefeitura muito grande, em 84. Com isso, as pessoas foram ficando com medo porque você, como sócio, é responsável pelas coisas; as pessoas começaram a debandar. Quando eu entrei, em 91, eu entrei porque em que o grupo que estava fazendo era associado à Cooperativa, era um grupo recém saído da EAD, e eu acabei entrando para a Cooperativa também. Mas era uma coisa muito formal, a gente era da Cooperativa só para se falar que era.

Que grupo?
Chamava Das Quantas, nem existe mais. A gente fez um espetáculo do Brecht que chamava Happy End, com direção do Augusto Francisco.
Depois disso, eu tinha um grupo que chamava Pó De Guaraná, que tinha alguns espetáculos infantis, e aí a gente tinha bem mais atividade como grupo e eu comecei a ter uma participação mais ativa na Cooperativa. Enfim, mas a gente se conhecia, os grupos eram poucos, nós sabíamos quem era quem porque depois dessa debandada muito pouca gente permaneceu na Cooperativa.
Quando eu entrei para a diretoria, para secretário, eu comecei a ter bastante atividade, fazer bastante coisa, procurar os órgãos públicos, as prefeituras, os SESCs. Eu já tinha aberto um caminho achando que eu tinha possibilidades de fazer, de realizar coisas. Aí eu acabei assumindo a presidência e, enfim, a gente realizou muitas coisas.
E essa relação que a gente tinha com os órgãos públicos foi se solidificando. Por exemplo, o SESC não aceitava a Cooperativa, a prefeitura não aceitava, o Estado… ninguém aceitava a Cooperativa. Então os caras eram da Cooperativa mas às vezes tinham que comprar nota ou tinham que abrir empresa porque você não podia utilizar a Cooperativa. A gente foi conquistando isso, pegando uma cadeira na Secretaria de Cultura do Estado, uma cadeira nas comissões de cultura do município.
Aí a gente começou a sentir a necessidade de ter um canal de comunicação com o cooperado para avisar “vai ter tal coisa”, “vai ter tal edital”, enfim, esse canal de comunicação – na época não tinha internet ainda. A gente tinha o sonho, claro, de criar uma revista mas a gente chegava no final e pagava as contas.
Então, a Cooperativa não tinha dinheiro, muito menos para uma revista, mas a gente tinha essa comunicação. Aí resolvemos fazer um folhetinho e demos o nome de Camarim porque tinha a ver com teatro. Fizemos uma coisa que era um folhetinho mesmo, que a gente mandava em offset em uma folha. Depois fizemos um informativo mesmo com quatro páginas com sulfite dobrado, tirado em offset que eu mesmo ia ali na Rua Antônia de Queirós porque era mais barato. A gente fazia isso e botava no correio para todos os cooperados. Aí foi ampliando até que teve o primeiro número que a gente conseguiu mandar fazer na gráfica, o que já foi uma vitória: conseguir ter verba para fazer isso. Fizemos um primeiro número colorido, em papel couchê, como em uma revista, mas pequenininha, é claro. E era assim: com informações para o cooperado. Tanto que a gente punha quem eram os aniversariantes da Cooperativa. “Tal grupo vai estrear”, “tal grupo precisa de um técnico”.

Pegando os números da revista, dá para perceber dois momentos. Um que era mais o que o informe faz hoje, que é falar quais peças estão rolando, o que vai acontecer. Depois uma virada; na hora que a revista já está colorida começa a se tratar de temas relativos ao teatro. Você pegou essa virada?
Exatamente. A gente começou a perceber que dava para fazer realmente uma revista. Aí nós chamamos uma pessoa para fazer editoria, que era o Zé Ernesto Pessoa, e a gente tinha reuniões periódicas para tratar da revista: que temas nós vamos tratar? Se você pegar os primeiros números dela como revista, você vai ver que “agora nós vamos tratar da profissionalização”, “neste número nós vamos tratar da questão dos grupos consolidados”, tanto que essa questão dos grupos a gente até manteve depois e em cada número da revista tinha um tema, uma entrevista – a gente teve entrevista com a Maria Alice Vergueiro, com o Abujamra, com o Antunes Filho, com o Paulo Betti, com o Walmor Chagas, cada número tinha uma entrevista – e, além dessa entrevista, cada número tinha também um retrato de um dos grupos pioneiros da Cooperativa, grupos que fizeram história, que tiveram uma trajetória importante.
Cada número da revista tinha uma página ou duas dedicada a um dos grupos importantes da Cooperativa. Cada número também trazia informações legais sobre contratos, sobre isso, sobre aquilo. E também as matérias principais, sobre a sede, sobre a documentação, sobre escolas de teatro, enfim, cada número tinha um tema. Também cada número tinha um espaço reservado para o Arte Contra a Barbárie, que era naquela época era um movimento que estava começando. A gente dedicava sempre um espaço na revista para o Arte Contra a Barbárie, então se você pegar uma sequência de números da revista, você vai ver que cada número tem uma reportagem sobre o Arte Contra a Barbárie. Isso era meio que determinado e a gente se reunia para ver como é que iam ser as entrevistas, quem que a gente ia escolher, qual seria o tema, de que forma a gente ia pesquisar esse tema. Foi isso, a revista foi criando um corpo.
Ao mesmo tempo, a esta época a gente já estava lá na Praça Roosevelt. A Cooperativa foi para a Praça Roosevelt e não tinham teatros lá. Tinha o antigo Cine Bijou, que era o teatro da Dulce [Muniz] mas que estava lá há anos e não era um teatro que dava a cara para a Roosevelt. A gente foi pra lá e, inclusive, algumas pessoas criticaram “mas vocês vão para a Praça Roosevelt? Aquele lugar…”. Então a gente foi para lá e começaram a ir… os Parlapatões bem depois para lá, os Satyros. Hoje é um espaço que é dedicado ao teatro, mas a Cooperativa foi pioneira lá – e a gente teve até uma revista que a gente fala da mudança, que a capa da revista é o prédio da sede da Cooperativa.

Isso é em que ano?
Isso foi no ano 2000 [na verdade a mudança se deu em 2001]. Nessa época a gente já tinha computadores na Cooperativa e já tinha internet. Eu lembro que a gente botou internet no ano 2000 mesmo, ou em 99, enfim. É uma época em que a revista já existia – ou o informativo, a Camarim começou como um informativo –, a gente já mandava, mas a gente começou a mandar também para os tomadores de serviço. Para os SESCs, para os SESIs, prefeituras, casas de cultura e aquelas coisas. Quando foi nesse ano 2000, que a gente já estava na nova sede, a revista já estava um pouco mais encorpada. Tinha o Zé Ernesto, que era jornalista, mas a gente era mais aventureiro nessa área de fazer uma revista.
Mas a revista estava tomando um corpo. A gente já estava lá na sede, já tinha computadores e a gente criou um informe. A gente falou “vamos botar essas questões todas no informe” e mandava uma vez por semana o informe: “vai ter edital de tal coisa”, “tal teatro está precisando…”, “tal grupo está precisando de um técnico”, “tal dia vai ter reunião para discutir não sei o quê com os cooperados”, “vai ter assembleia”. Essa informações passaram a ser conteúdo do informe.

E aí a revista ficou editorializada. Ficou com editor, revisor. Tomou cara de revista.
Já tinha, um pouquinho antes. Esses números todos que são temáticos, que têm uma matéria de capa, que têm entrevista. Isso já é uma editoria.
Mas tivemos as participações de outras pessoas. O Vicente Latorre, o Petrônio Nascimento, enfim. Depois de uma certa época (acho que 2002, 2003, não lembro que ano) aconteceu o seguinte: nós resolvemos mudar um pouco a revista. Mas as pessoas também estavam achando que deveria mudar. Nós começamos a chamar os grupos para cada vez um grupo dirigir um pouco a editoria. O Hugo Possolo teve uma participação bastante ativa nessa época, acho que durante uns três números ele conduziu essa forma da revista. Tudo isso era uma busca de uma identidade, porque ela não era uma revista de teatro ainda. Então teve esse momento que o Possolo tomou a dianteira; o Hugo, além de ser autor, diretor e tal, ele é jornalista. Por isso que a gente chamou ele para conduzir e também para contribuir nessa identidade da revista.

Qual é o futuro da Camarim? Que tipo de reflexão ela precisa propor agora?
Eu acho que a Camarim atingiu um nível muito legal de editoria. Ela propõe matérias que instigam, que fazem pensar. Ela é muito mais propositiva. Eu acho que ela está neste caminho. Eu não sei te dizer qual é o caminho que ela deve ou deveria seguir, mas eu acho que ela está muito bem encaminhada, hoje ela tem uma identidade como revista de ensaios, de matérias mais profundas. Não sei o que eu proporia, não sei. Eu acho que ela está muito bem encaminhada, eu gosto do formato dela hoje. Talvez se ela tivesse um espaço maior para os cooperados, em que as pessoas, independente, não só para os “grupos eleitos” mas que todos os cooperados tivesse um espaço lá – mas também isso é complicado porque tem tanto grupo hoje… No começo, por exemplo, na contracapa tinha lá os grupos da Cooperativa. Tinha a relação dos grupos. Chegou uma hora que tinha a relação dos associados! Porque cabia. Hoje, se você for botar a relação dos grupos, já vai ter uma revista inteira quase. Mas seria bom se tivesse um espaço para os grupos, seria interessante.

Qual a diferença que você vê entre 1997 e 2013 na classe teatral aqui em São Paulo?
Olha, a mudança que houve é muito grande. Não que hoje está excelente, mas hoje está muito melhor do que estava porque a gente conseguiu – inclusive a Cooperativa contribuiu muito com isso –  conquistar espaços e ter participação ativa nas políticas culturais. A gente teve desde o começo, desde que eu estava na presidência, em 93, uma das coisas era ter participação ativa dentro do Ministério [da Cultura], dentro da Prefeitura, nós ajudamos a criar o Conselho Municipal de Cultura, ajudamos a criar a Lei Mendonça, participamos da criação da Lei Rouanet. Na época tinha acabado a Lei Sarney, que estava muito ruim, e entrou o Ipojuca Pontes no Ministério da Cultura, que tinha uma política que não existia, então a gente estava meio órfão de políticas culturais. A gente se reunia com várias outras entidades e a gente buscou conquistar espaços mesmo, forçando a porta. A gente ia na Secretaria de Cultura do Estado, do município, nos órgãos federais também. A gente buscou muito este espaço e acho que a gente conquistou ele, de alguma forma. Isso abriu muito. Tanto é que quando eu entrei na Cooperativa tinha 22 sócios, quando eu saí tinha 3,5 mil, em 2003.
A gente fomentou essas coisas do grupo. Apesar de a gente ter aberto a Cooperativa para sócios individuais – o que é uma possibilidade: todo mundo pode fazer um trabalho individual na Cooperativa, inclusive porque a lei a lei determina assim –, a gente buscou sempre a valorização do trabalho de grupo. Quando a gente fez, em 98, a primeira Mostra Brasileira de Teatro de Grupo – que resultou na Mostra Latino-Americana hoje –, nós fizemos duas versões dessa mostra valorizando o teatro de grupo. Se você pegar, por exemplo, a quantidade de grupos que tinha em 98, em janeiro, e depois da Mostra, você vê que aumentou muito.
A gente fez um projeto chamado Cooperativa Viva. Esse projeto também, quando ele terminou, muitos grupos vieram procurar a Cooperativa e se associar. Depois da primeira Mostra, outros tantos vieram. Depois da segunda mostra, mais ainda. Aí nós trouxemos o Yoshi Oida, que é um dos atores que tem um dos trabalhos mais importantes no mundo todo, que trabalha com o Peter Brook (foi o primeiro ator da companhia do Peter Brook). Nós queríamos trazer o Peter Brook mas nós trazemos o Yoshi Oida, que foi um movimento muito legal também. Enfim, a gente participava com os SESCs na edição de vários projetos de festivais internacionais.
Isso foi abrindo espaço para os grupos quererem fazer parte da Cooperativa – e a gente foi adquirindo mais força. Se a gente já punha o pé na porta para conseguir falar “presta a atenção na gente”, “a gente está aqui”, “a gente precisa disso”, mais ainda quando a gente tem muito mais pessoas agregadas, a gente fica muito mais forte, naturalmente. A Cooperativa foi adquirindo mais força.
Mas abrir espaço para que a Cooperativa fosse recebida e olhada como uma entidade séria, no começo foi muito difícil porque ninguém sabia o que era Cooperativa. “A Cooperativa é aquela que tem meia dúzia de grupos”. Que grupos? Não são os grupos importantes da cidade. Aí que as pessoas começaram a se agregar à Cooperativa, a se associar mesmo, e a Cooperativa se tornou uma entidade… fomos capa de uma revista nacional sobre cooperativismo, do IBDCOOP. Não é uma revista sobre teatro, é sobre cooperativismo! Uma revista que fala sobre cooperativismo de uma forma geral e a Cooperativa Paulista de Teatro foi capa desta revista como exemplo de cooperativa. E fomos matéria de outras revistas internacionais. A gente teve um reconhecimento tanto nacional quanto internacional, como exemplo de cooperativismo.
Quando a gente começou, era uma zona. O pessoal falou “vamos abrir uma entidade”. Se fosse hoje, talvez, não iam abrir uma cooperativa. Quer dizer, hoje você tem várias cooperativas: de dança, de música, de artes plásticas, de artes visuais, disso, daquilo, tem muitas cooperativas. A cooperativa de dança e a cooperativa de música nasceram aqui dentro, nasceu do nosso trabalho. Eu viajei pelo Brasil todo, fui pra Fortaleza, Brasília, Salvador, Porto Alegre: “Abram uma cooperativa”. A gente fortaleceu muito esse movimento cooperativista. Mas na época, se tivesse possibilidade de abrir uma ONG ou uma Oscip (Organização de Sociedade Civil de Interesse Público), talvez tivessem aberto alguma delas. Porque a cooperativa foi aberta porque alguém deu a ideia. O quê que a gente vai fazer? Precisava existir juridicamente, porque os grupos pegavam nota da empresa do cuncunhado da vizinha. Como é que você vai ser contratado pelo SESC? Precisa ter Pessoa Jurídica, e os grupos não tinham. Então desenvolveu essa organização e fundou a Cooperativa, mas podia ter fundado qualquer outra coisa, uma ONG, uma associação, uma Oscip. E a Cooperativa tinha de fazer registro no Incra, que é o Instituto Nacional de Reforma Agrária! Reforma. Agrária. Depois, tinha de fazer registro no Ministério da Agricultura como cooperativa de teatro. É uma coisa inédita, esquisita. De qualquer forma, foi feita – e mesmo assim a gente conseguiu fazer com que a Cooperativa existisse e funcionasse de fato como cooperativa, porque tem muitas cooperativas que são de fachada.

E hoje como você vê que estão as conjunturas, a produção teatral?
Eu acho que com essa força que a Cooperativa adquiriu, e essa conquista de muitos outros espaços, a gente tem muito mais possibilidades. Hoje você tem inúmeros editais dentro do município, do estado ou do governo federal, os próprios órgãos como SESCs e SESIs e os mecanismos de incentivo fiscal, ou seja, as empresas também, que têm possibilidade de patrocínio e de fomento à produção. Eu acho que hoje você tem mais oportunidades e, por isso, tem muito mais companhias, tem muito mais grupos. A quantidade de grupos, hoje, é muito grande. Hoje, só na cidade de São Paulo, quantas escolas [de teatro] a gente tem? Muitas. Quanta gente por ano se forma só aqui em São Paulo? Eu acho que melhorou, tem muito mais espaço e tem muito mais possibilidade de trabalho. Hoje em dia o cara se forma e já está concorrendo com edital. Às vezes nem se formou, está terminando o curso, e já conseguiu patrocínio para a sua peça. Antigamente era muito mais difícil, muito mais difícil. O cara se formava numa escola profissionalizante ou numa faculdade e ia ter que ralar para conseguir um espaço para um grupo se firmar, para estar no mercado. Hoje em dia eu acho que tem mais possibilidades Mas falta muita coisa para fazer, claro.

Um exemplo?
Ampliar essas possiblidades. Eu acho que falta, também, o teatro estar mais próximo do público. Eu acho que com essas possibilidades todas de ganhos que a gente conseguiu e conquistou, graças a deus, às vezes o teatro se afasta um pouco do público. Às vezes o teatro está muito na forma, nos prêmios, nas críticas e não sei o quê e está afastado do público. Falta o teatro ter essa proximidade maior com o público.

Senão fica corporativista quando vai tentar alguma política. Mas como dá para reverter isso? Como que dá para se aproximar mais do público?
Se eu soubesse… (risos)

Eu acho que uma saída possível é fortalecer centros culturais bancados por grupos, ter mais diálogo com a comunidade no qual o grupo está inserido, além de fazer apresentações.
Eu acho que inclusive cobrando isso dos grupos. Eu acho que isso teria que fazer parte das plataformas de política cultural, de editais e tudo o mais. Mas eu acho, por exemplo, que essa política de ocupação dos centros culturais ou mesmo dos teatros distritais… vamos supor que cada teatro seja entregue para uma companhia ou para um grupo e esse grupo tem que trabalhar ali. A gente vê trabalhos bons de companhias que estão em determinados espaços.
Eu não disse que não tenha comunicação com o público, eu digo que é melhor que ela seja ampliada. Mas, por exemplo, você tem hoje muitos trabalhos nas periferias das cidades e isso é muito bom. Quando você está lá trabalhando na periferia, trabalha com o entorno, vê as necessidades e se comunica diretamente com o seu público, com aquela sua comunidade, eu acho que o teatro funciona mais, acho que atinge mais a sua função, o seu objetivo.

Uma outra saída seria estreitar os laços com os movimentos sociais, embora já tenha um grande estreitamento.
Eu acho que sim. Eu acho que o teatro é um movimento social. Independente de trabalhar com movimentos específicos, o teatro é um movimento social que não é voltado a uma única categoria, ele tem que ser abrangente, para a sociedade. Na hora em que ele fala para as pessoas ou para uma determinada comunidade, ele está atingindo seu objetivo.

Sobre o Dia Mundial do Teatro, que mensagem você mandaria para a classe teatral?
A gente é trabalhador antes de tudo, a gente é operário antes de tudo, o teatro é um ofício. A gente ter clareza e consciência do seu trabalho, do seu ofício é fudamental para um artista. É isso: seguir na luta, respeitar o teatro como instituição e o artista colega como companheiro. Mas temos que ter a arte como objetivo. Eu acho que a gente tem que ter o teatro como uma arte também. Não podemos abrir mão do teatro como arte. Que a gente siga isso nas nossas lutas, nas nossas caminhadas, na nossa união e no nosso poder de transformação. O teatro tem o poder de transformação e isso é uma arma muito forte. A gente tem que ter consciência desse poder que a gente tem e exercê-lo da melhor maneira possível.

Autor(a): Imprensa CPT

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7 Comentários

  1. Parabens para o Amorim, ele e a equipe sao a marca da unao dos grupos.

  2. Sem o Luiz Amorim a Cooperativa não estaria como agora. Viva nosso ator, amigo e sempre presidente, Que a nova gestão tenha a mesma sorte!
    Ney Piacentini

  3. Grande Luiz, homem, que contribuiu para o efetivo sentido da instituição de forma integra e que elevou o trabalho representativo dos artistas,como Cooperativa a um patamar relevante e digno, e que a partir de seu empenho houve desdobramentos desta tônica! Tenha certeza que inspirou muitos de nós a crer na força do coletivo e na Arte do Teatro como meta!

  4. ;)

  5. Evoé! Luiz Amorim, o presidente em cujas gestões a cooperativa se fortaleceu e começou a mostrar sua cara
    Hoje estamos mais fortes enquanto trabalhadores da cultura e organização artística .
    Vamos em frente!

  6. Que delicia ler essa entrevista…. De alguma maneira participei de boa parte dessa evolução, aprendi muito com o Luiz Amorim e com a Camarim, quando entrei na Cooperativa mal conhecia o teatro e sua profundidade, hoje, sou quem eu sou graças a essas pessoas maravilhosas, inteligentes e generosas que sempre me ensinaram e apoiaram muito…..

    Tem uma edição da Camarim que tem na capa as mãos dos funcionários da época entrelaçadas, simbolizando o cooperativismo, tenho esse exemplar e me orgulho muito de ver minhas mãozinhas lá kkkk…..

    Muitas saudades de todos da CPT…

  7. Luiz Amorim é ” o cara”!
    Parabéns pela entrevista.
    Cinthia Zaccariotto

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